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Quem tem medo do Feminismo?

No segundo semestre de 2014, a Juliana Duarte, futura amiga de Jornalismo, me fez um convite irrecusável. A Julie me chamou para escrever um texto de opinião para uma revista de laboratório da turma dela na Universidade Santa Cecília (UNISANTA), lá para as bandas da Baixada Santista. Sim, isso mesmo. Eu, estudante de Jornalismo, aqui para as bandas do litoral cearense, fui convidada para ser a única colunista de fora do Estado paulista nessa revista laboratório, que já veio com uma proposta incrível. De cara, obviamente, aceitei o desafio da Julie e, alguns dias depois, meu texto já estava pronto. Agora, bastava a espera de ver a revista pronta e sentir uma felicidade inigualável tomar conta do meu peito e assim aconteceu.

Confira o texto:

Revista Aquela, 2014.

Revista Aquela, 2014.

Já começo desmembrando o questionamento que é a porta de entrada para este texto: Quem tem medo do Feminismo?

Ah, mas fique tranquilo. Não precisa responder. Não agora, pelo menos. Pode guardar a sua resposta para a última frase do derradeiro parágrafo. Não tenha pressa. Pode pensar e refletir. Tudo com muita calma.

Então, voltando.

Quem tem medo do Feminismo tem medo da luta diária das mulheres. Tem medo daquelas que se rebelam. Tem medo daquelas que gritam CHEGA! Daquelas que não aguentam mais carregar tantas correntes. Daquelas que se libertam das correntes que as aprisionam. Daquelas que ajudam umas às outras.

Quem tem medo do Feminismo tem medo do sol amanhecer bem mais lilás ou, como mais gosto de enfatizar, ‘‘roxo feminista’’, minha cor preferida. Quem tem medo do Feminismo tem medo de ter a sua hegemonia surrupiada. E quem tem esse medo, mal sabe que Feminismo não é sobre hegemonia. E nunca será. O Feminismo é sobre equidade de direitos. É sobre liberdade. É sobre poder. Mas, que fique bem claro, o poder aqui mencionado é das mulheres para e com as próprias mulheres. O poder que cada uma deve ter sobre si mesma. Sobre o seu corpo. Sobre, principalmente, as suas escolhas.

Quem tem medo do Feminismo ainda ousa ter medo de uma mulher andando faceira na rua, tão dona de si. Quem tem medo do Feminismo espera o silêncio e ouve o som da salvação. Quem tem medo do Feminismo faz cara feia para a jovem mulher que diz, em letras garrafais, não querer ser mãe. Quem tem medo do Feminismo não suporta a mulher mais velha que escancara a sua sexualidade, sem se sentir errada ou imprudente. Quem tem medo de Feminismo se contorce de frustração com a mulher, que mesmo violentada, sabe que a culpa nunca foi sua. Quem tem medo do Feminismo são aqueles mesmos que soltam estupradores e algemam as vítimas.

Quem tem medo do Feminismo tem muito medo de uma mulher Presidente da República. Que são os mesmos que têm medo de uma jovem, lá do Oriente Médio, que teve a ‘‘a audácia’’ de um ganhar um Nobel da Paz. Que audaciosa não, é?

Quem tem medo do Feminismo tem medo de Malalas, Dilmas, Julianas, Robertas, Vitórias, Marias, Danieles, Nayaras, Lorenas, Ingrides, Carmens, Marianas, Priscilas, Patrícias, Vanessas, Gabrielas, Saras, Letícias, Cynthias…

Enfim, que tem medo do Feminismo, tem medo de todas nós. Mas o nosso recado é simples e direto: Quanto mais vocês mostram que têm medo, mais nós mostramos que não sentimos medo algum.

Para conferir a revista na íntegra, basta CLICAR AQUI.

O que posso dizer mais é que fiquei super orgulhosa do resultado final. Agradeço imensamente à Julie, por ter confiado em mim e no que eu teria a dizer sobre o assunto e parabéns à todos os envolvidos na criação da revista Aquela. Vocês foram demais!