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Meus desejos feministas para 2016

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não sei de quem é a foto. se souber, avisa aí.

As pessoas costumam fazer suas listas de desejos para o ano que vai começar no finalzinho do ano anterior, mas como eu gosto mesmo é de nadar contra a corrente, farei uma lista de desejos bem especial com 2016 já por aqui.

Resolvi não fazer aquela lista de sempre, com coisas tão somente sobre mim e pronto. Inspirada por esta postagem aqui, vou elencar abaixo alguns dos meus principais desejos para um ano de 2016, cada vez mais, feminista, onde possamos lutar muito mais pelos direitos das mulheres e de todas as classes oprimidas e massacradas por este sistema patriarcal vigente.

– QUE AS PESSOAS PAREM DE ACHAR QUE FEMINISMO E MACHISMO SÃO OPOSTOS

Algo muito comum, para quem não está inserido dentro do movimento feminista, que não o conhece minimamente ou com o intuito de tão somente invalidá-lo é afirmar que este refere-se à uma oposição do que é considerado machismo. Só que isso não passa do mais completo “engano” (para não dizer desserviço ou coisa pior).

Feminismo e machismo nem de longe podem ser relacionados desta forma, já que significam coisas, COMPLETAMENTE, distintas.

Machismo: É um sistema de opressão que considera as mulheres INFERIORES aos homens só porque são MULHERES. O machismo silencia, massacra, violenta – de todas as formas possíveis – além de, principal e infelizmente, ser o responsável-mor pela morte de mulheres todos os dias.

Feminismo: Em resumo, trata-se de um movimento que luta com e pelas mulheres. Pelo direito delas sobre a própria vida, seus corpos e suas escolhas. Respeita-se aqui a diversidade dos sujeitos, além de buscar a equidade (uma espécie de igualdade, mas que leva em consideração as diferenças de ambos) entre homens e mulheres.

QUE A CULTURA DO ESTUPRO SEJA ENTENDIDA COMO UMA REALIDADE QUE DEVE SER COMBATIDA

Sei que ninguém vai acordar num fatídico dia tendo total consciência disso, mas que, pelo menos, a gente pare de sair por aí reproduzindo coisas nada a ver, como por exemplo, que uma mulher foi estuprada porque estava com uma roupa curta. Gente, por favor, ISSO NÃO EXISTE. Sabe quais os únicos culpados por um estupro? Os estupradores. É essa cultura do estupro que, de certa forma, legitima que as pessoas digam tal atrocidade e que os outros levem isso à sério.

A cultura do estupro está mais presente no cotidiano da sociedade do que podemos sequer pensar. É quando um cara acredita que pode dar em cima de uma CRIANÇA porque ela “parece” mulher. Ou quando uma mulher não pode voltar sozinha pra casa à noite, porque caso aconteça algo com ela, ela será vista como culpada, porque estava sozinha numa rua escura. É também quando uma mulher não pode beber muito numa balada, porque, claro, ela “está pedindo”. Isso de sempre culpar mulheres vítimas de violência sexual também é algo legitimado pela tal cultura do estupro. Essa mesma cultura que estampa peças publicitárias objetivando mulheres das mais repugnantes maneiras. Ou deixa personagens femininas seminuas em jogos de vídeo game. A lista é imensa.

– QUE DEBATER SOBRE ABORTO SEJA ALGO POSSÍVEL

É de comum acordo que quando o tema aborto surge numa conversa, logo percebe-se pessoas revirando os olhos, prontas para atacar qualquer um que se diga pela vida das mulheres.

O aborto é tido como polêmica, porque está diretamente relacionado com as mulheres e seus corpos. Afinal, vivemos numa sociedade que obriga, veementemente, mulheres a serem mães (até se a gravidez tiver sido resultado de estupro), mas quando as crianças nascem e crescem é essa mesma sociedade que não está nem aí para aquela mãe e seu filho, pois a preocupação agora é reduzir a maioridade penal. Prioridades. Sempre as prioridades do Estado e seus aliados.

Lutemos por um 2016 em que a nós possamos debater a questão com mais liberdade, com mais direito de fala, de explicar didaticamente, de conscientizar. É total balela quem, do alto de sua ignorância, diz que se o aborto for “legalizado”, as mulheres vão sair abortando desenfreadamente. Como se isso fosse um lindo hobby, não é? Tamanha afirmação só pode sair de quem não se importa com ninguém, além do seu próprio umbigo.

Qualquer mulher deve ser, plenamente, dona de si. Ela quem decide tudo no que diz ao seu corpo. Não é Estado. Muito menos, igreja. Se a gente parar só um pouquinho de ser tão hipócrita e pensar a realidade, mulheres abortam quer você aceitando ou não. A questão é que as ricas abortam, mas as mulheres negras e pobres são as que mais morrem em verdadeiros açougues. Pela despenalização do aborto sim, senhor!

– QUE A VIOLÊNCIA CONTRA MULHER SEJA VISTA COMO O PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA E NÃO MAIS COMO O FAMIGERADO “ EM BRIGA DE MARIDO E MULHER, NINGUÉM METE A COLHER”

Nenhuma mulher tem que porque sofrer sozinha com a violência. Elas precisam ser ouvidas e entendidas. Elas necessitam, urgentemente, de todo o apoio e, obviamente, auxilio jurídico para que tenham a oportunidade de seguir em frente, sabendo que não estão abandonadas, que serão tomadas as ações cabíveis para que suas vidas sejam preservadas, acima de toda e qualquer outra coisa.

Os números de mortes de mulheres por violência domésticas são perturbadores. O “Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil” (aqui) está aí para nos mostrar isso por um ângulo bem nítido. E, na minha concepção, essa ideia de combate da violência contra as mulheres deve emergir da base, de cada indivíduo da sociedade. Enquanto essa consciência não for, minimamente, alcançada, continuaremos repetindo nojeiras como “ela só pode gostar de apanhar”, “por que não fez nada?”, “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher” e daí pra pior.

Então, a lista de desejos feministas para 2016 é bem maior, mas tentei listar algumas das pautas mais evidentes dentro de um âmbito mais geral. Reafirmo que a luta deve ser diária. A militância não tem hora nem lugar. A gente é feminista na internet e fora dela, porque as coisas como estão, não podem continuar. É fácil? Em hipótese alguma, mas a causa é maior que todas nós.

Sobre Malévola e como os contos de fadas não são bem o que nos ensinaram

Maleficent, 2014.

Acabei de assistir Malévola (2014) pela primeira vez e meu coração ainda palpita de uma sensação reconfortante e meus olhos estão inundados por um sentimento de gostaria muito de ter descoberto esta versão do conto original quando mais nova. Pois uma história que coloca abaixo a ideia já, exageradamente, ruminada por épocas sobre os pomposos contos de fadas e os tais beijos salvadores de príncipes encantados merece todo o meu respeito e admiração.

Confesso que ainda estou tentando digerir tudo que vivi e senti. Realmente estou apaixonada por este filme e não consigo imaginar mais ninguém que atuaria de forma tão impecável quanto a poderosíssima Angelina Jolie no papel principal.

A produção é, de fato, uma reinvenção do clássico A Bela Adormecida. Não adianta nem comparar, pois se trata de uma história bem diferente, contada a partir daquela que sempre foi considerada a vilã inquestionável. Mas será mesmo que a linha que separa o bem e o mal é tão ténue assim, como ditam os contos de fadas?

Malévola se impõe como uma produção sobre resistência feminina acima de qualquer dominação masculina que existe desde que o mundo é mundo e que se perdura até no universo da fantasia. O problema está, exatamente, que o plano fantasioso ainda segue com um dos principais responsáveis por pisotear a mente, a autoestima e todo e qualquer sonho de liberdade, autonomia e independência de nossas meninas. Elas crescem à espera de um príncipe encantado que deverá salvá-las. Mas de quê? Delas mesmas e de tudo que podem um dia vir a ser? Cresci com a ideia alienante que só seria plena e feliz de verdade quando o meu príncipe aparecesse. Perdi tempo e momentos comigo mesma nutrindo tamanha noção equivocada que me foi ensinada e empurrada goela abaixo. Só consegui abrir meus olhos recentemente (2012, mais precisamente) com a descoberta do feminismo na minha vida e teria aberto mais cedo não só olhos, quanto a cabeça, se a história da Malévola me fosse contada no lugar daquela da bela adormecida e outras do tipo.

Não digo que devemos privar nossas meninas da fantasia. Não mesmo. Mas elas precisam saber que suas vidas não giram em torno de príncipes encantados. Nossas meninas precisam ter acesso à realidade das mulheres, que passa bem longe daquela narrada, mascarada e enfeitada nos contos de fadas. Elas merecem ter apoio feminino e alguém para empoderá-las e lhes afirmar todos os dias (se assim for necessário e, realmente, é) que elas são as heroínas das próprias histórias e ninguém mais.

Malévola é um marco no quesito evolução dos contos de fadas. O filme gera uma excelente reflexão ao ser assistido por pessoas capazes de se desligarem de seus privilégios patriarcais e valores morais conservadores para observar como a vida real das mulheres na nossa sociedade é bem difícil e, totalmente, oposta daquela repassada na TV, no cinema e nos livros infantis.

Pensei em focar mais no filme em si, mas acho que minha opinião já está bem expressa acima. Assim, recomendo a leitura deste texto incrível (clique aqui), que levanta mais pontos interessantes sobre esta maravilhosa produção cinematográfica.


 Você gostou desta resenha? Gostaria de ver mais postagens assim aqui no blog? 

Deixe seu comentário e me diga o que achou! 

Quem tem medo do Feminismo?

No segundo semestre de 2014, a Juliana Duarte, futura amiga de Jornalismo, me fez um convite irrecusável. A Julie me chamou para escrever um texto de opinião para uma revista de laboratório da turma dela na Universidade Santa Cecília (UNISANTA), lá para as bandas da Baixada Santista. Sim, isso mesmo. Eu, estudante de Jornalismo, aqui para as bandas do litoral cearense, fui convidada para ser a única colunista de fora do Estado paulista nessa revista laboratório, que já veio com uma proposta incrível. De cara, obviamente, aceitei o desafio da Julie e, alguns dias depois, meu texto já estava pronto. Agora, bastava a espera de ver a revista pronta e sentir uma felicidade inigualável tomar conta do meu peito e assim aconteceu.

Confira o texto:

Revista Aquela, 2014.

Revista Aquela, 2014.

Já começo desmembrando o questionamento que é a porta de entrada para este texto: Quem tem medo do Feminismo?

Ah, mas fique tranquilo. Não precisa responder. Não agora, pelo menos. Pode guardar a sua resposta para a última frase do derradeiro parágrafo. Não tenha pressa. Pode pensar e refletir. Tudo com muita calma.

Então, voltando.

Quem tem medo do Feminismo tem medo da luta diária das mulheres. Tem medo daquelas que se rebelam. Tem medo daquelas que gritam CHEGA! Daquelas que não aguentam mais carregar tantas correntes. Daquelas que se libertam das correntes que as aprisionam. Daquelas que ajudam umas às outras.

Quem tem medo do Feminismo tem medo do sol amanhecer bem mais lilás ou, como mais gosto de enfatizar, ‘‘roxo feminista’’, minha cor preferida. Quem tem medo do Feminismo tem medo de ter a sua hegemonia surrupiada. E quem tem esse medo, mal sabe que Feminismo não é sobre hegemonia. E nunca será. O Feminismo é sobre equidade de direitos. É sobre liberdade. É sobre poder. Mas, que fique bem claro, o poder aqui mencionado é das mulheres para e com as próprias mulheres. O poder que cada uma deve ter sobre si mesma. Sobre o seu corpo. Sobre, principalmente, as suas escolhas.

Quem tem medo do Feminismo ainda ousa ter medo de uma mulher andando faceira na rua, tão dona de si. Quem tem medo do Feminismo espera o silêncio e ouve o som da salvação. Quem tem medo do Feminismo faz cara feia para a jovem mulher que diz, em letras garrafais, não querer ser mãe. Quem tem medo do Feminismo não suporta a mulher mais velha que escancara a sua sexualidade, sem se sentir errada ou imprudente. Quem tem medo de Feminismo se contorce de frustração com a mulher, que mesmo violentada, sabe que a culpa nunca foi sua. Quem tem medo do Feminismo são aqueles mesmos que soltam estupradores e algemam as vítimas.

Quem tem medo do Feminismo tem muito medo de uma mulher Presidente da República. Que são os mesmos que têm medo de uma jovem, lá do Oriente Médio, que teve a ‘‘a audácia’’ de um ganhar um Nobel da Paz. Que audaciosa não, é?

Quem tem medo do Feminismo tem medo de Malalas, Dilmas, Julianas, Robertas, Vitórias, Marias, Danieles, Nayaras, Lorenas, Ingrides, Carmens, Marianas, Priscilas, Patrícias, Vanessas, Gabrielas, Saras, Letícias, Cynthias…

Enfim, que tem medo do Feminismo, tem medo de todas nós. Mas o nosso recado é simples e direto: Quanto mais vocês mostram que têm medo, mais nós mostramos que não sentimos medo algum.

Para conferir a revista na íntegra, basta CLICAR AQUI.

O que posso dizer mais é que fiquei super orgulhosa do resultado final. Agradeço imensamente à Julie, por ter confiado em mim e no que eu teria a dizer sobre o assunto e parabéns à todos os envolvidos na criação da revista Aquela. Vocês foram demais!

Por que um beijo te incomoda tanto?

(TV Globo/Divulgação).

Na semana passada, a Rede Globo estreou a novela Babilônia e já causou aquele rebuliço pela internet e, principalmente, por todo o país. Confesso que faz muito tempo que não assisto novela da toda poderosa emissora brasileira, mas seria impossível negar tamanha estreia que chegou pisoteando os valores da tão defendida e, ao mesmo tempo, hipócrita ‘‘família tradicional brasileira’’ (lê-se aqui grupo de pessoas que se acham superiores por serem cheios de preconceitos e integrarem a fórmula excludente de família como, necessariamente, homem + mulher + filhinhos).

A questão é que logo em seu primeiro capitulo Babilônia exibiu um digno beijo entre as atrizes consagradas Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Sim, até parece mentira, mas é isso mesmo que você leu. Vou até explicar em detalhes, para não restar dúvidas: A Rede Globo de Televisão, já tão conhecida por seus preconceitos velados, seus estereótipos (re)mastigadas e tudo de ruim que há começou uma novela com um beijo entre duas mulheres e senhoras de idade, que fogem do típico padrão de fetiche masculino perante às mulheres lésbicas.

E aqui, mais uma vez, temos uma prova de que representatividade nunca foi tão fundamental como numa época em que a intolerância corre solta para todas as bocas, dedos ferozes (na internet, essencialmente) e os demais ambientes da vida em sociedade. Porque se alguém não se encaixa na fôrma estreita de alguns ‘‘seres humanos’’, logo é considerado um ser errado, que está indo contra a lei de deus. Mas que deus? A dura verdade é que muita gente deveria, pelo menos, começar a entender que a sua religião não é a base incontestável para o resto do mundo. Você acredita? Tudo bem. Está no seu direito, mas isso acaba quando você ousa ferir o direito do outro, lhe dizendo como ele deve ou não agir ou ainda disfarçando seu preconceito com um ‘‘eu respeito, mas não aceito, tenho até amigos que são’’. Esse discurso é tão vazio e desonesto (para não dizer adjetivos mais pesados e que continuariam servindo, perfeitamente, para definir tal fala). Porque você não tem que aceitar nada. É a vida do outro. É um direito pleno, da outra pessoa, amar quem ela bem entender, sendo do mesmo sexo ou não. Seja lá quem for. Existindo amor, isso é o que deveria importar acima de qualquer coisa.

Assim, engula sua ignorância desmedida e tente ser mais sensato. Duas senhoras se beijaram em horário nobre? Beijaram e espero, sinceramente, que se beijem muito mais. Não é só pela quantidade de beijos ou como isso vai afetar quem não suporta ver o diferente na TV e sim para mostrar que a diversidade existe na vida real para muito além dos rótulos e que ela precisa ser estampada nos televisores de todos os brasileiros, para que, de alguma maneira, quem não sente acolhido entre os seus, passe a enxergar que não está só e que não precisa se esconder de ninguém, negando assim sua existência.

Então, surge o questionamento: Será mesmo que foi só um beijo lésbico (que nessa altura do campeonato, nem deveríamos estar fazendo mais este tipo de distinção, porque tudo é beijo) que incomodou tanto a tal ‘‘família tradicional brasileira’’? Não adianta mais disfarçarem um tamanho incomodo com o blablabla de ‘‘ai o mundo está perdido,as crianças não podem ver isso’’. Gente, por favor! Parem de achar que homossexualidade é doença e que ‘‘transmite’’ assim, por osmose ou sei lá mais o que imaginam. Isso é ridículo. É desrespeitoso. Um beijo entre pessoas do mesmo sexo na televisão não causa mal nenhum a ninguém. E se causa em você, melhor abrir a mente e se perguntar se o problema todo não está em ti.

Por essas e muitas outras é importantíssimo jamais parar de ecoar o grito de luta:

Chega de lesbofobia! Chega de preconceito!

Ser mulher foi nosso erro?

Nos impõe limites bem antes do céu.

Nos impõem limites bem antes do céu.

Há quem diga que machismo não existe e que tudo isso não passa de coisa da cabeça das ”feministas loucas mal comidas”. Há quem repita tanto tamanho discurso meia-boca, que chega a soar muito mais irritante que um disco arranhado. Há quem nos obrigue, tal qual tortura, a engolir a ideia de que mulheres não podem isso ou aquilo, simplesmente, porque são… Sabe o que? Isso mesmo… Mulheres! Então, o mais homem mais exaltado no fim da fila grita ”Aaaaah, como??? O que você dizendo, sua vadia? Nenhuma mulher de verdade passa mais por isso! Todos são tratados iguais!” Mas é óbvio, meu caro. É bastante fácil e, principalmente, confortável falar que mulher nenhuma passa por isso, quando você não faz a menor (a mais microscópica que seja) ideia do que uma mulher, realmente, passa. Afinal de contas,você está aí, relaxado no alto da sua gigantesca escada de privilégios, que só conhece o ser masculino e barra tudo que ousa ser feminino. Você, homem, continua aí… Rindo da nossa cara, enquanto saboreia o que bem quiser, como e quando quiser. E aqui embaixo, nós é que partimos pagando preço -o altíssimo preço que nos foi cobrado- pelos seus erros. Sim, aqueles erros que foram cometidos por nós dois juntos ou mesmo só por você, mas que os olhos algozes voltaram-se apenas para mim. Eu. Aquela que parece ter cometido o maior error de todos. Erro que não apontou qualquer escolha: O erro de ser mulher. No Trespassing Sign on Manitou Incline

Uma pequena mensagem para aquelas mulheres que ainda virão:

Garotas, não foi fácil e não está sendo, mas o que nos move é fato de que vocês viram e ficaram bem. Pelo menos, estarão numa situação um tanto melhor que a nossa. É o que queremos e sonhamos.

O que nos move é saber que lá na frente, quando vocês tomarem conhecimento de tudo isso, da nossa história e tudo que passamos, vocês poderão externar algum suspiro de alívio, por mais leve e singelo que seja.

O que importa é que estamos resistindo pelo nosso futuro. Aquele futuro que vocês, garotas, tomarão contar de traçar muito bem.

Nós já sabemos disso.

Sobre peludas, depiladas e a ditadura do padrão inatingível de beleza

Não me lembro de qual página é essa imagem, mas, quem souber, avisa que dou os devidos créditos.

Não me lembro de qual página é essa imagem, mas, quem souber, avisa que dou os devidos créditos.

É de conhecimento de todos que a rede social Facebook é um oceano infinito de pura e escrota cagação de regra na vida alheia, ainda mais quando essa vida alheia diz respeito ao corpo de uma mulher

Quando, por azar do destino, cai às minhas vistas, um post sobre mulheres que escolheram não se depilar, é como se eu me deparasse com uma enxurrada de preconceito, machismo, babaquice e, claro, muita (mas muita MESMO) imposição do que é ”bonito”, ”feio”, ”nojento”, ”do que pode” e ”do que NÃO pode”. E olha que eu aprendi com o tempo e depois de muito estômago revirado, que ler os comentários de notícias assim no Facebook ou mesmo em portais não é uma escolha nada interessante, haja vista que tamanha leitura faz um mal danado para a cabeça e para todos os meus órgãos internos que se contorcessem como em uma dança, totalmente, louca e sem sentido.

Não dá para engolir que tantas pessoas se preocupem dessa forma, extremamente, exagerada (para não diz obsessiva). É quase impossível entender isso. Qual mal poderia te causar uma mulher não se depilar? Em que isso iria te prejudicar? Iria teu ego? Teus olhos? Teu machismo? Mas deixa eu enfatizar algo bem simples: Por mais que digam e batam o pé afirmando o contrário, mulher nenhuma está nessa mundo para te agradar. Porque não, o mundo não gira ao seu redor. Mulheres devem ter plena e total autonomia para fazerem o bem quiserem com SEUS PRÓPRIOS CORPOS.

A mulher não quer se depilar? Não vê necessidade para isso? Então, ela, SIMPLESMENTE, não se depila. Fácil, não é?

A questão toda chega a ficar pior ainda quando os cagadores de regra resolvem associar a não depilação com falta de higiene ou que, por causa de uns pelos a mais, ”elas depois vão reclamar de estarem solteiras”. Presta atenção: PARA COM ISSO! Porque está extrapolando o limite da babaquice. Pelos não representam falta de higiene. NÃO MESMO! Se eles estão aqui é porque, obviamente, têm alguma utilidade, como, por exemplo, proteger o nosso corpo de bactérias ou coisas do tipo. Ah, e se toda pessoa depilada fosse limpinha, né? Que maravilha viver! (mas isso não acontece, só se for no mundo de fantasia de alguns).

E outra: Quem disse que mulher se depila (ou não) para deixar de ser solteira? Só cabeças bastante limitadas para jurarem que mulher não tem mais o que fazer, como, FICAR MUITO BEM SOZINHA! Essa ideia de que mulher é sexo frágil e precisa de um homem, um macho-alfa para ficar feliz e bem, já cansou e isso faz tempo

Feminismo Diagonal

Feminismo Diagonal.

Ainda tem mais! E como se a coisa não pudesse ficar mais trágica e revoltante, tem ainda gente não acredita na existência da ditadura da beleza. Aí alguém grita lá no fundo: ”Sério isso?”. Muitíssimo sério. E eu crio uma vontade imensa de perguntar para essa gente em que caverna eles vivem, porque só viver em uma caverna seria uma explicação um tanto justa para não acreditar em algo que é tão óbvio.

Desde que o mundo é mundo, que há grupos que se articulam para estamparem por todos os lados que mulher tem que ser assim, tem que ser assado, tem que ser perfeita. Revistas ditam corpos, formas, cores, tamanhos, cabelos… T U D O! Novelas apontam condutas, modos de viver, de relacionar… T U D O! Painéis na rua vendem corpos femininos como se tudo não passasse de uma exposição de qualquer açougue de beira de esquina. E isso não sequer a ponta do iceberg. A problemática e o caos causado é bem mais profundo do que nossa mente pode ser capaz de imaginar. Não se trata de apontar uma arma para a cabeça de uma mulher e mandar ela ser e agir de tal forma. A imposição da ditadura da beleza é invisível e, por isso mesmo, é ainda mais destruidora, opressora e letal.

Afinal, quando uma mulher tenta e não consegue ser como aquela perfeita e escultural da revista ou a bonita (com tudo no lugar) da novela ou mesmo aquela sem nenhum defeitinho que está estampada num outdoor no meio da rua, ela sente-se, exaustivamente mal, fica aos pedaços. se questionando como é o seu problema, por que não consegue atingir aquilo, que parece ser tão fácil (mas que não é, na verdade) e logo é iniciada uma guerra com o seu corpo. A mulher não se contenta mais com a sua forma. Gasta dinheiro, forças (psicológica e física) tentando ser o que nunca poderá ser, porque essa beleza dita como a única beleza aceitável não existe. É uma beleza moldada em computador. É uma beleza projetada para mulheres que não existem. É uma beleza que não faz bem. É uma beleza que mata todos os dias. 

Um novo ar pra respirar.

Oi!

Eu puxo uma cadeira… Fica aqui. Lê até o fim. Tudo bem?

Eu já tenho um blog. Meu DEScomplicando completa 4 anos de existência em agosto até, mas eu senti que já estava na hora de criar um novo espaço para as minhas palavras, hora de alcançar voos diferentes. Então, eu fui e aqui pousei.

Para quem não conhece, o DEScomplicando é um blog bem sentimental, um claro e quase assustador reflexo do meu ser sensível, dramático e em constante devaneio. Lá estão aguardados os meus desabafos nos piores e mais sufocantes dias de dor, meus gritos de socorro, minhas reflexões que me salvaram do surto eterno. Enfim, lá é que está contida uma grande e significativa parte de mim.

Mas eu estou em constante processo de mudança e aprendizado (ainda bem) e isso é impossível negar. Assim, algumas causas, lutas e ideias estão ganhando mais foco e atenção no meu momento atual. Como é o caso do Feminismo.  

Aos poucos, vou aprendendo, conhecendo e me reconhecendo cada vez como feminista. Sou uma eterna aprendiz e meu aprendizado se faz todo o dia e principalmente, por meio do ativismo da internet e, em especial, por intermédio de um grupo cheio de pessoas lindas e dispostas a debater com educação num espaço que ecoa amor diagonal.

Logo, o Feminismo foi o meu primordial impulso para criar e me jogar de corpo e alma neste projeto que, oficialmente, se inicia com este post de estreia. Meu objetivo aqui, por mais que isso possa ”doer” em muitos, é tacar o dedo nas feridas expostas, ainda não cicatrizadas e escancaradas pela sociedade hipócrita em que sobrevivemos. Não, eu não quero ofender nem julgar a vivência de ninguém, mas busco apontar caminhos alternativos para o debate, mostrando que não precisamos nos limitar em discursos que beiram a ditadura da ideia, que anulam toda e qualquer pluralidade. Mas também, vale destacar bem, que não vou aceitar comentário de gente incapaz de ir além, de perceber suas próprias correntes e olhar (sem os olhos de quem só julga e julga)  para o mundo de injustiças e sofrimento que as cerca. O Escrita Subversiva não dará ibope para gente ignorante e que não respeita a diversidade humana.

Machismo? Homofobia? Racismo? Lesbofobia? Transfobia? Bifobia? Silenciamento de mulheres? Violência de qualquer espécie? Preconceito contra religiões diferentes da sua? Nada disso (nem coisas do tipo) serão toleradas por aqui.

Claro, quem estiver com disposição para dialogar sem medo do confronto saudável de ideias, pensamentos e reflexões, será muito bem-vindo no Escrita Subversiva. Afinal, subverter pela palavra é o que há. 

Para concluir: Às vezes, o que a gente precisa é apenas de um novo ar para conseguir respirar melhor.


 

Leu? Agora eu quero ler o seu comentário!