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Por que um beijo te incomoda tanto?

(TV Globo/Divulgação).

Na semana passada, a Rede Globo estreou a novela Babilônia e já causou aquele rebuliço pela internet e, principalmente, por todo o país. Confesso que faz muito tempo que não assisto novela da toda poderosa emissora brasileira, mas seria impossível negar tamanha estreia que chegou pisoteando os valores da tão defendida e, ao mesmo tempo, hipócrita ‘‘família tradicional brasileira’’ (lê-se aqui grupo de pessoas que se acham superiores por serem cheios de preconceitos e integrarem a fórmula excludente de família como, necessariamente, homem + mulher + filhinhos).

A questão é que logo em seu primeiro capitulo Babilônia exibiu um digno beijo entre as atrizes consagradas Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Sim, até parece mentira, mas é isso mesmo que você leu. Vou até explicar em detalhes, para não restar dúvidas: A Rede Globo de Televisão, já tão conhecida por seus preconceitos velados, seus estereótipos (re)mastigadas e tudo de ruim que há começou uma novela com um beijo entre duas mulheres e senhoras de idade, que fogem do típico padrão de fetiche masculino perante às mulheres lésbicas.

E aqui, mais uma vez, temos uma prova de que representatividade nunca foi tão fundamental como numa época em que a intolerância corre solta para todas as bocas, dedos ferozes (na internet, essencialmente) e os demais ambientes da vida em sociedade. Porque se alguém não se encaixa na fôrma estreita de alguns ‘‘seres humanos’’, logo é considerado um ser errado, que está indo contra a lei de deus. Mas que deus? A dura verdade é que muita gente deveria, pelo menos, começar a entender que a sua religião não é a base incontestável para o resto do mundo. Você acredita? Tudo bem. Está no seu direito, mas isso acaba quando você ousa ferir o direito do outro, lhe dizendo como ele deve ou não agir ou ainda disfarçando seu preconceito com um ‘‘eu respeito, mas não aceito, tenho até amigos que são’’. Esse discurso é tão vazio e desonesto (para não dizer adjetivos mais pesados e que continuariam servindo, perfeitamente, para definir tal fala). Porque você não tem que aceitar nada. É a vida do outro. É um direito pleno, da outra pessoa, amar quem ela bem entender, sendo do mesmo sexo ou não. Seja lá quem for. Existindo amor, isso é o que deveria importar acima de qualquer coisa.

Assim, engula sua ignorância desmedida e tente ser mais sensato. Duas senhoras se beijaram em horário nobre? Beijaram e espero, sinceramente, que se beijem muito mais. Não é só pela quantidade de beijos ou como isso vai afetar quem não suporta ver o diferente na TV e sim para mostrar que a diversidade existe na vida real para muito além dos rótulos e que ela precisa ser estampada nos televisores de todos os brasileiros, para que, de alguma maneira, quem não sente acolhido entre os seus, passe a enxergar que não está só e que não precisa se esconder de ninguém, negando assim sua existência.

Então, surge o questionamento: Será mesmo que foi só um beijo lésbico (que nessa altura do campeonato, nem deveríamos estar fazendo mais este tipo de distinção, porque tudo é beijo) que incomodou tanto a tal ‘‘família tradicional brasileira’’? Não adianta mais disfarçarem um tamanho incomodo com o blablabla de ‘‘ai o mundo está perdido,as crianças não podem ver isso’’. Gente, por favor! Parem de achar que homossexualidade é doença e que ‘‘transmite’’ assim, por osmose ou sei lá mais o que imaginam. Isso é ridículo. É desrespeitoso. Um beijo entre pessoas do mesmo sexo na televisão não causa mal nenhum a ninguém. E se causa em você, melhor abrir a mente e se perguntar se o problema todo não está em ti.

Por essas e muitas outras é importantíssimo jamais parar de ecoar o grito de luta:

Chega de lesbofobia! Chega de preconceito!

Um novo ar pra respirar.

Oi!

Eu puxo uma cadeira… Fica aqui. Lê até o fim. Tudo bem?

Eu já tenho um blog. Meu DEScomplicando completa 4 anos de existência em agosto até, mas eu senti que já estava na hora de criar um novo espaço para as minhas palavras, hora de alcançar voos diferentes. Então, eu fui e aqui pousei.

Para quem não conhece, o DEScomplicando é um blog bem sentimental, um claro e quase assustador reflexo do meu ser sensível, dramático e em constante devaneio. Lá estão aguardados os meus desabafos nos piores e mais sufocantes dias de dor, meus gritos de socorro, minhas reflexões que me salvaram do surto eterno. Enfim, lá é que está contida uma grande e significativa parte de mim.

Mas eu estou em constante processo de mudança e aprendizado (ainda bem) e isso é impossível negar. Assim, algumas causas, lutas e ideias estão ganhando mais foco e atenção no meu momento atual. Como é o caso do Feminismo.  

Aos poucos, vou aprendendo, conhecendo e me reconhecendo cada vez como feminista. Sou uma eterna aprendiz e meu aprendizado se faz todo o dia e principalmente, por meio do ativismo da internet e, em especial, por intermédio de um grupo cheio de pessoas lindas e dispostas a debater com educação num espaço que ecoa amor diagonal.

Logo, o Feminismo foi o meu primordial impulso para criar e me jogar de corpo e alma neste projeto que, oficialmente, se inicia com este post de estreia. Meu objetivo aqui, por mais que isso possa ”doer” em muitos, é tacar o dedo nas feridas expostas, ainda não cicatrizadas e escancaradas pela sociedade hipócrita em que sobrevivemos. Não, eu não quero ofender nem julgar a vivência de ninguém, mas busco apontar caminhos alternativos para o debate, mostrando que não precisamos nos limitar em discursos que beiram a ditadura da ideia, que anulam toda e qualquer pluralidade. Mas também, vale destacar bem, que não vou aceitar comentário de gente incapaz de ir além, de perceber suas próprias correntes e olhar (sem os olhos de quem só julga e julga)  para o mundo de injustiças e sofrimento que as cerca. O Escrita Subversiva não dará ibope para gente ignorante e que não respeita a diversidade humana.

Machismo? Homofobia? Racismo? Lesbofobia? Transfobia? Bifobia? Silenciamento de mulheres? Violência de qualquer espécie? Preconceito contra religiões diferentes da sua? Nada disso (nem coisas do tipo) serão toleradas por aqui.

Claro, quem estiver com disposição para dialogar sem medo do confronto saudável de ideias, pensamentos e reflexões, será muito bem-vindo no Escrita Subversiva. Afinal, subverter pela palavra é o que há. 

Para concluir: Às vezes, o que a gente precisa é apenas de um novo ar para conseguir respirar melhor.


 

Leu? Agora eu quero ler o seu comentário!