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Da minha depressão quem sabe sou eu

Falar sobre depressão é, de certo modo, difícil pra mim, porque é falar sobre quem eu sou. Principalmente, agora.

Eu fui diagnosticada com um quadro depressivo grave e faço tratamento psiquiátrico tem alguns meses. Mas sabe, depressão não é algo que a gente acorda numa bela manhã, olha para o espelho e diz ”hoje estou com depressão”. Trata-se de uma doença severa, que te destrói em pedacinhos todos os dias e atravessa anos, até décadas e, muito provavelmente, a sua vida inteira.

Pra mim, eu sempre tive depressão. Desde nova, já sabia conviver muito mais com sentimentos tristes do que com ideais belos de felicidade. A verdade é que sempre fui uma menina sozinha, de pouquíssimos amigos, que preferia continuar na minha, mas também quando estava entre várias pessoas, elas me cansavam muito facilmente. Porque eu sou difícil de conviver e isso é fato. E em incontáveis momentos do dia, nem eu me aguento. Logo, ninguém tem a obrigação de me aguentar. Eu também nunca aprendi o que era falar sobre mim de uma maneira, autenticamente, positiva. Sempre fui pessimista. Sempre. Não tenho tendência para forçar a alegria. Ou estou feliz ou não estou. Não há meio termo aqui.

A minha depressão é uma luta mais do que diária. É uma montanha-russa que me dá enjoo quase que o tempo todo. Eu oscilo entre momentos melhorzinhos e o total fundo do poço (até mais além que isso). Mas claro, tem muita gente por aí que diz que tudo é vitimismo da minha parte. Porque, óbvio, é bem simples você julgar e menosprezar a dor alheia quando não é você que a sente na pele, nas entranhas, por entre cada célula. Pois você dizer que me faço de vítima, não me faz sofrer menos. Seria ótimo se isso acontecesse e eu agradeceria até, mas minha depressão não vira ”normalidade” quando me pedem pra sorrir mais ou pra, simplesmente, seguir em frente. Meu estômago revira com essa gente cheia de conselhos, de bem com a vida, que ao invés de ir lá viver sua vidinha, fica jogando lição de moral para quem não pediu lição alguma.

Viver com depressão é estar numa guerra onde você sabe que as chances de sair vitoriosa são mínimas. Viver com depressão é querer, na maior parte da semana, sequer colocar os pés pra fora da cama. Mas eu tenho que sair, tenho que ir pro estágio, tenho que ir pra aula, mesmo com a vontade seja inexistente e peso do mundo só me jogue pra baixo. Só que viver com depressão é também não estar limitada aos estereótipos. Viver com depressão é também querer sair todos os dias. É querer apenas ver o nascer do sol. É querer ver gente e querer também não ver ninguém. Viver com depressão é ser um vulcão, que pode (e vai) entrar em erupção a qualquer instante. Não toca em mim, mas não me largue. Me deixa em paz, mas não me deixa, totalmente, só. Além de tudo isso, viver com depressão é machucar as pessoas sem nem perceber a gravidade do que fez, pois você estava sendo apenas você. Em estado de ebulição, mas você. Não quero dizer que pessoas com depressão não devem ser responsabilizadas por seus atos. Não é isso. Mas somos inconstantes e não aquele manual pronto que muitos juram conhecer muito bem. Você só conhece verdadeiramente a doença, quando a tem ou convive, de maneira bem próxima, com alguém que carrega tamanho fardo.

Como sou uma só, um ser humano passível de falhas, eu falo da MINHA relação com a depressão. Não posso falar de como os outros enfrentam e lidam com a doença. Eu relato e desabafo só sobre o que eu sei e sinto. E na maioria das vezes, por mais que seja complicado escancarar detalhes tão íntimos meus, eu tenho tal necessidade. Tornar minha dor pública até que a cicatriza um pouco, aquilo que tanto corrói. Eu tenho que escrever. Eu tenho que ser lida. Eu tenho que ser, minimamente, entendida.

Uma vez perguntaram se os meus sorrisos nas fotos eram verdadeiros. Porque como eu tenho depressão, eu deveria estar chorando direto, não é? Por que as pessoas são tão previsíveis assim? Eu posso sorrir ou eu posso ficar com a cara fechada e, ainda sim, vou continuar a depressão. Sinto que existe um senso comum muito forte, que gosta de nutrir ideias bem equivocadas sobre a doença. Quer saber a realidade sobre a depressão? Escute uma pessoa que carrega esse mal nas costas. Mas escute mesmo. Seja mente aberta. Tire todos os seus pré-conceitos e comece a criar empatia pelos outros. Mas também, caso não queira fazer isso, é só continuar sendo o babaca ignorante que segue repetindo que alguém com depressão não se cura porque não quer. Lógico, por que raios não pensei nisso antes? Depressão é uma roupa que coloco e tiro quando bem me der na telha.

Por mais que os pensamentos ruins sobre mim e sobre o mundo que me cerca insistam em me perseguir, eu vou crescendo com meus erros, com minhas lágrimas derramadas. Eu convivo com um sentimento inegável de cansaço existencial, mas tenho consciência que preciso resistir. Que frente tudo que já vivi é ato de revolução seguir sem me deixar abater por completo. A Herlene de meses atrás se desmancharia com um sopro. A Herlene de hoje permanece firme mesmo diante o furacão.

foto por Clemilton Barreto.

Um novo ar pra respirar.

Oi!

Eu puxo uma cadeira… Fica aqui. Lê até o fim. Tudo bem?

Eu já tenho um blog. Meu DEScomplicando completa 4 anos de existência em agosto até, mas eu senti que já estava na hora de criar um novo espaço para as minhas palavras, hora de alcançar voos diferentes. Então, eu fui e aqui pousei.

Para quem não conhece, o DEScomplicando é um blog bem sentimental, um claro e quase assustador reflexo do meu ser sensível, dramático e em constante devaneio. Lá estão aguardados os meus desabafos nos piores e mais sufocantes dias de dor, meus gritos de socorro, minhas reflexões que me salvaram do surto eterno. Enfim, lá é que está contida uma grande e significativa parte de mim.

Mas eu estou em constante processo de mudança e aprendizado (ainda bem) e isso é impossível negar. Assim, algumas causas, lutas e ideias estão ganhando mais foco e atenção no meu momento atual. Como é o caso do Feminismo.  

Aos poucos, vou aprendendo, conhecendo e me reconhecendo cada vez como feminista. Sou uma eterna aprendiz e meu aprendizado se faz todo o dia e principalmente, por meio do ativismo da internet e, em especial, por intermédio de um grupo cheio de pessoas lindas e dispostas a debater com educação num espaço que ecoa amor diagonal.

Logo, o Feminismo foi o meu primordial impulso para criar e me jogar de corpo e alma neste projeto que, oficialmente, se inicia com este post de estreia. Meu objetivo aqui, por mais que isso possa ”doer” em muitos, é tacar o dedo nas feridas expostas, ainda não cicatrizadas e escancaradas pela sociedade hipócrita em que sobrevivemos. Não, eu não quero ofender nem julgar a vivência de ninguém, mas busco apontar caminhos alternativos para o debate, mostrando que não precisamos nos limitar em discursos que beiram a ditadura da ideia, que anulam toda e qualquer pluralidade. Mas também, vale destacar bem, que não vou aceitar comentário de gente incapaz de ir além, de perceber suas próprias correntes e olhar (sem os olhos de quem só julga e julga)  para o mundo de injustiças e sofrimento que as cerca. O Escrita Subversiva não dará ibope para gente ignorante e que não respeita a diversidade humana.

Machismo? Homofobia? Racismo? Lesbofobia? Transfobia? Bifobia? Silenciamento de mulheres? Violência de qualquer espécie? Preconceito contra religiões diferentes da sua? Nada disso (nem coisas do tipo) serão toleradas por aqui.

Claro, quem estiver com disposição para dialogar sem medo do confronto saudável de ideias, pensamentos e reflexões, será muito bem-vindo no Escrita Subversiva. Afinal, subverter pela palavra é o que há. 

Para concluir: Às vezes, o que a gente precisa é apenas de um novo ar para conseguir respirar melhor.


 

Leu? Agora eu quero ler o seu comentário!