Ser mulher foi nosso erro?

Nos impõe limites bem antes do céu.

Nos impõem limites bem antes do céu.

Há quem diga que machismo não existe e que tudo isso não passa de coisa da cabeça das ”feministas loucas mal comidas”. Há quem repita tanto tamanho discurso meia-boca, que chega a soar muito mais irritante que um disco arranhado. Há quem nos obrigue, tal qual tortura, a engolir a ideia de que mulheres não podem isso ou aquilo, simplesmente, porque são… Sabe o que? Isso mesmo… Mulheres! Então, o mais homem mais exaltado no fim da fila grita ”Aaaaah, como??? O que você dizendo, sua vadia? Nenhuma mulher de verdade passa mais por isso! Todos são tratados iguais!” Mas é óbvio, meu caro. É bastante fácil e, principalmente, confortável falar que mulher nenhuma passa por isso, quando você não faz a menor (a mais microscópica que seja) ideia do que uma mulher, realmente, passa. Afinal de contas,você está aí, relaxado no alto da sua gigantesca escada de privilégios, que só conhece o ser masculino e barra tudo que ousa ser feminino. Você, homem, continua aí… Rindo da nossa cara, enquanto saboreia o que bem quiser, como e quando quiser. E aqui embaixo, nós é que partimos pagando preço -o altíssimo preço que nos foi cobrado- pelos seus erros. Sim, aqueles erros que foram cometidos por nós dois juntos ou mesmo só por você, mas que os olhos algozes voltaram-se apenas para mim. Eu. Aquela que parece ter cometido o maior error de todos. Erro que não apontou qualquer escolha: O erro de ser mulher. No Trespassing Sign on Manitou Incline

Uma pequena mensagem para aquelas mulheres que ainda virão:

Garotas, não foi fácil e não está sendo, mas o que nos move é fato de que vocês viram e ficaram bem. Pelo menos, estarão numa situação um tanto melhor que a nossa. É o que queremos e sonhamos.

O que nos move é saber que lá na frente, quando vocês tomarem conhecimento de tudo isso, da nossa história e tudo que passamos, vocês poderão externar algum suspiro de alívio, por mais leve e singelo que seja.

O que importa é que estamos resistindo pelo nosso futuro. Aquele futuro que vocês, garotas, tomarão contar de traçar muito bem.

Nós já sabemos disso.

Mulheres e o futebol: Onde o senso comum reina (quase) absoluto.

Hoje (09) o Brasil amanheceu menos alegre e muito mais calado. Isso poderia ser por conta de algum fator social, político, econômico ou qualquer outro. Mas, especificamente, hoje o abatimento coletivo se deve ao futebol, representante principal da brasilidade.

O vexame ontem estampado para o mundo inteiro ver manchou uma imensa parte da nossa história de 100 anos de seleção brasileira. Isso é inegável. Não se fala em contra coisa. Não se lamenta outro tema na tv, no rádio, na internet, na rua, dentro de casa. O povo está cabisbaixo, triste e tem todo esse direito. Mas o foco desse texto não é o que houve (ou não) ontem na primeira semifinal da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 e sim um incômodo pessoal do que ocorreu durante e até mesmo antes dela.

O futebol, histórica e culturalmente, é um esporte majoritariamente masculino. Alguém discorda? Infelizmente, não há o que contestar. Mas a questão que isso, sem dúvida, é coisa do passado. Afinal, tanto dentro como fora de campo, as mulheres, mesmo que timidamente, tornaram-se presença constante.

Marta, a grande representante feminina do futebol brasileiro para o mundo.

Mulheres jogam futebol tão bem ou até melhor que os homens, que muitos afirmam já terem nascido sabendo jogar. Mulheres apitam jogos e são bandeirinhas competentes, sim. Mulheres apresentam programas de esportes e comentam jogos de futebol com verdadeiro conhecimento de causa. Mulheres enchem estádios para torcer pelos seus times do coração. Mulheres amam o futebol. E que mal poderia existir nisso? O problema é que sempre que tem mulher se inserindo em universos antes, completamente dominados pela macharada, isso parece ferir o ego de muita gente. E ainda persiste a eterna dúvida: Por quê? Há algum estudo sociológico que explique isso? A psicologia explica? Alguém me explica, por favor!

Quem ajuda a entoar o discurso medíocre de que ”mulheres odeiam e não sabem nada de futebol” só está reforçando estereótipos baratos, causando um enorme desserviço e retrocesso tanto para o futebol como para uma sociedade livre de machismo, sexismo, misoginia e, principalmente, babaquice.

Mas como se luta contra isso? Não permitindo ser calada. Mostrando que ser mulher não nos impede de forma alguma de amar futebol. Não há nada biológico que diga que somos incapazes diante de tal feito. E por que tendem a insistir o contrário? Por puro medo dos homens de que seu ”clube do bolinha” seja invadido por mulheres mais inteligentes e competentes? Não se trata de querer instaurar uma guerra entre sexos. Longe disso. Mas de questionar, argumentar, buscar razões que consigam justificar o fato das mulheres ainda sofrerem com tanto machismo velado dentro e fora das quatros linhas.

Aqui quem fala é uma apaixonada pelo esporte mais adorado no Brasil. Sei que não falo por todas, mas sei que falo por muitas e enquanto existir mulher sentindo-se anulada dentro do meio futebolístico, eu seguirei com meu canto de luta para que nós conquistemos cada vez mais o nosso espaço.

Sobre peludas, depiladas e a ditadura do padrão inatingível de beleza

Não me lembro de qual página é essa imagem, mas, quem souber, avisa que dou os devidos créditos.

Não me lembro de qual página é essa imagem, mas, quem souber, avisa que dou os devidos créditos.

É de conhecimento de todos que a rede social Facebook é um oceano infinito de pura e escrota cagação de regra na vida alheia, ainda mais quando essa vida alheia diz respeito ao corpo de uma mulher

Quando, por azar do destino, cai às minhas vistas, um post sobre mulheres que escolheram não se depilar, é como se eu me deparasse com uma enxurrada de preconceito, machismo, babaquice e, claro, muita (mas muita MESMO) imposição do que é ”bonito”, ”feio”, ”nojento”, ”do que pode” e ”do que NÃO pode”. E olha que eu aprendi com o tempo e depois de muito estômago revirado, que ler os comentários de notícias assim no Facebook ou mesmo em portais não é uma escolha nada interessante, haja vista que tamanha leitura faz um mal danado para a cabeça e para todos os meus órgãos internos que se contorcessem como em uma dança, totalmente, louca e sem sentido.

Não dá para engolir que tantas pessoas se preocupem dessa forma, extremamente, exagerada (para não diz obsessiva). É quase impossível entender isso. Qual mal poderia te causar uma mulher não se depilar? Em que isso iria te prejudicar? Iria teu ego? Teus olhos? Teu machismo? Mas deixa eu enfatizar algo bem simples: Por mais que digam e batam o pé afirmando o contrário, mulher nenhuma está nessa mundo para te agradar. Porque não, o mundo não gira ao seu redor. Mulheres devem ter plena e total autonomia para fazerem o bem quiserem com SEUS PRÓPRIOS CORPOS.

A mulher não quer se depilar? Não vê necessidade para isso? Então, ela, SIMPLESMENTE, não se depila. Fácil, não é?

A questão toda chega a ficar pior ainda quando os cagadores de regra resolvem associar a não depilação com falta de higiene ou que, por causa de uns pelos a mais, ”elas depois vão reclamar de estarem solteiras”. Presta atenção: PARA COM ISSO! Porque está extrapolando o limite da babaquice. Pelos não representam falta de higiene. NÃO MESMO! Se eles estão aqui é porque, obviamente, têm alguma utilidade, como, por exemplo, proteger o nosso corpo de bactérias ou coisas do tipo. Ah, e se toda pessoa depilada fosse limpinha, né? Que maravilha viver! (mas isso não acontece, só se for no mundo de fantasia de alguns).

E outra: Quem disse que mulher se depila (ou não) para deixar de ser solteira? Só cabeças bastante limitadas para jurarem que mulher não tem mais o que fazer, como, FICAR MUITO BEM SOZINHA! Essa ideia de que mulher é sexo frágil e precisa de um homem, um macho-alfa para ficar feliz e bem, já cansou e isso faz tempo

Feminismo Diagonal

Feminismo Diagonal.

Ainda tem mais! E como se a coisa não pudesse ficar mais trágica e revoltante, tem ainda gente não acredita na existência da ditadura da beleza. Aí alguém grita lá no fundo: ”Sério isso?”. Muitíssimo sério. E eu crio uma vontade imensa de perguntar para essa gente em que caverna eles vivem, porque só viver em uma caverna seria uma explicação um tanto justa para não acreditar em algo que é tão óbvio.

Desde que o mundo é mundo, que há grupos que se articulam para estamparem por todos os lados que mulher tem que ser assim, tem que ser assado, tem que ser perfeita. Revistas ditam corpos, formas, cores, tamanhos, cabelos… T U D O! Novelas apontam condutas, modos de viver, de relacionar… T U D O! Painéis na rua vendem corpos femininos como se tudo não passasse de uma exposição de qualquer açougue de beira de esquina. E isso não sequer a ponta do iceberg. A problemática e o caos causado é bem mais profundo do que nossa mente pode ser capaz de imaginar. Não se trata de apontar uma arma para a cabeça de uma mulher e mandar ela ser e agir de tal forma. A imposição da ditadura da beleza é invisível e, por isso mesmo, é ainda mais destruidora, opressora e letal.

Afinal, quando uma mulher tenta e não consegue ser como aquela perfeita e escultural da revista ou a bonita (com tudo no lugar) da novela ou mesmo aquela sem nenhum defeitinho que está estampada num outdoor no meio da rua, ela sente-se, exaustivamente mal, fica aos pedaços. se questionando como é o seu problema, por que não consegue atingir aquilo, que parece ser tão fácil (mas que não é, na verdade) e logo é iniciada uma guerra com o seu corpo. A mulher não se contenta mais com a sua forma. Gasta dinheiro, forças (psicológica e física) tentando ser o que nunca poderá ser, porque essa beleza dita como a única beleza aceitável não existe. É uma beleza moldada em computador. É uma beleza projetada para mulheres que não existem. É uma beleza que não faz bem. É uma beleza que mata todos os dias. 

Um novo ar pra respirar.

Oi!

Eu puxo uma cadeira… Fica aqui. Lê até o fim. Tudo bem?

Eu já tenho um blog. Meu DEScomplicando completa 4 anos de existência em agosto até, mas eu senti que já estava na hora de criar um novo espaço para as minhas palavras, hora de alcançar voos diferentes. Então, eu fui e aqui pousei.

Para quem não conhece, o DEScomplicando é um blog bem sentimental, um claro e quase assustador reflexo do meu ser sensível, dramático e em constante devaneio. Lá estão aguardados os meus desabafos nos piores e mais sufocantes dias de dor, meus gritos de socorro, minhas reflexões que me salvaram do surto eterno. Enfim, lá é que está contida uma grande e significativa parte de mim.

Mas eu estou em constante processo de mudança e aprendizado (ainda bem) e isso é impossível negar. Assim, algumas causas, lutas e ideias estão ganhando mais foco e atenção no meu momento atual. Como é o caso do Feminismo.  

Aos poucos, vou aprendendo, conhecendo e me reconhecendo cada vez como feminista. Sou uma eterna aprendiz e meu aprendizado se faz todo o dia e principalmente, por meio do ativismo da internet e, em especial, por intermédio de um grupo cheio de pessoas lindas e dispostas a debater com educação num espaço que ecoa amor diagonal.

Logo, o Feminismo foi o meu primordial impulso para criar e me jogar de corpo e alma neste projeto que, oficialmente, se inicia com este post de estreia. Meu objetivo aqui, por mais que isso possa ”doer” em muitos, é tacar o dedo nas feridas expostas, ainda não cicatrizadas e escancaradas pela sociedade hipócrita em que sobrevivemos. Não, eu não quero ofender nem julgar a vivência de ninguém, mas busco apontar caminhos alternativos para o debate, mostrando que não precisamos nos limitar em discursos que beiram a ditadura da ideia, que anulam toda e qualquer pluralidade. Mas também, vale destacar bem, que não vou aceitar comentário de gente incapaz de ir além, de perceber suas próprias correntes e olhar (sem os olhos de quem só julga e julga)  para o mundo de injustiças e sofrimento que as cerca. O Escrita Subversiva não dará ibope para gente ignorante e que não respeita a diversidade humana.

Machismo? Homofobia? Racismo? Lesbofobia? Transfobia? Bifobia? Silenciamento de mulheres? Violência de qualquer espécie? Preconceito contra religiões diferentes da sua? Nada disso (nem coisas do tipo) serão toleradas por aqui.

Claro, quem estiver com disposição para dialogar sem medo do confronto saudável de ideias, pensamentos e reflexões, será muito bem-vindo no Escrita Subversiva. Afinal, subverter pela palavra é o que há. 

Para concluir: Às vezes, o que a gente precisa é apenas de um novo ar para conseguir respirar melhor.


 

Leu? Agora eu quero ler o seu comentário!